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09 dezembro, 2006

Reportagem no Valor Econômico

www.unisulbusiness.blogspot.com
Escola atrai herdeiros fugindo do convencional
Por Andrea Giardino
06/12/2006



Emiliano Capozoli/Valor
Os estudantes Marcos Mueller, Leandro Moreno e Rafael Duarte testam seus limites em atividade ao ar livre no curso de administração Unisul


Leandro Moreno, 22 anos, herdeiro de um dos mais importantes grupos industriais de Santa Catarina, a Resicolor Tintas e Vernizes, nunca imaginou que precisaria ficar na corda bamba para aprender a lidar com os desafios de comandar uma empresa. Mas desde que decidiu abandonar os cursos de química e administração que fazia em duas tradicionais universidades do estado, há três anos, para embarcar em algo novo, tem testado seus limites.


Ao entrar na Unisul Business School (UBS), faculdade ligada a Unisul e localizada ao norte da ilha de Florianópolis (SC), que na época lançava seu primeiro curso de graduação em administração e negócios, ele se deparou com uma série de atividades diferentes como rapel, canoagem, trilha e rafiting, chamadas de "outdoor education". A prática, bastante familiar dos executivos, chegou à sala de aula da instituição seguindo a linha de renomadas escolas de negócios internacionais, a exemplo da Harvard e Stanford. São os conhecidos treinamentos ao ar livre que visam desenvolver competências e a habilidade de planejamento, tomada de decisão em situações de desafio, potencial de liderança e trabalho em equipe.


"No início não nos entendíamos muito e cada um queria que as coisas acontecessem do seu jeito", lembra Moreno. "Mas aprendemos com o tempo a atuar como um time e a descobrir nosso potencial como futuros líderes".


Assim como ele, muitos jovens - a maioria filhos de empresários da região e prováveis sucessores - foram atraídos pelo modelo inovador da faculdade. "Eles tinham uma proposta diferente do que existe por aí, com a interação entre o meio acadêmico e as empresas", afirma. Os alunos não têm apenas disciplinas comuns aos cursos de administração, mas também aprendem sobre mercado de capitais e bolsa de valores; fontes alternativas de captação de recursos e processos de negociação, gestão e avaliação da performance de empreendimentos, análise de investimentos, gestão de talentos humanos.


De acordo com Fernando Serra, diretor da UBS, a idéia do curso é exatamente fugir do padrão das faculdades brasileiras. "Só vamos saber se realmente estamos no caminho certo quando a primeira turma sair para o mercado ano que vem", diz. "Mas acreditamos no sucesso porque queremos formar profissionais altamente qualificados e, acima de tudo, prepará-los para a vida". Os cerca de 80 alunos dedicam-se exclusivamente ao curso e ficam em horário integral no campus, das 8h30 às 16h30. Pagam em torno de R$ 1 mil a mensalidade e apesar de não terem tempo para estágio, criam projetos para solucionar problemas de empresas da região.


Da mesma forma que acontece nos MBAs, os alunos estudam casos, realizam diagnósticos e tentam encontrar alternativas para as empresas. É uma forma deles terem contato direto com a organização, colocando em prática o que é aprendido em sala de aula. "Passamos por um série de etapas que considero mais enriquecedoras do que se fizéssemos um estágio", ressalta Rafael Duarte, 20 anos, herdeiro da Duart Lingerie. E a diferença é que após o período de avaliação e criação da estratégia de negócios, os alunos apresentam o projeto para a empresa.


Há histórias concretas na Marisol, Tractebel Energia, Engevix e Itautec. Na Marisol, por exemplo, os alunos avaliaram as razões que tornam a empresa tão atrativa se ela não possui liquidez. Na Engevix, mapearam as dificuldades que a companhia, dona de um faturamento de R$ 400 milhões, encontrava para contratar profissionais qualificados, mesmo com uma taxa de crescimento elevado. Experiências como essa levaram a Unisul Business School a montar um banco de casos que poderá ser utilizado dentro de alguns meses por alunos de outros cursos da Unisul.


A iniciativa, chamada de projeto integrador, dá essa visão mais macro das estratégias de cada empresa. Os alunos realizam consultoria de procedimentos em finanças e orçamento empresarial, pesquisa de campo, consultoria de procedimentos em finanças e orçamento empresarial, procedimentos em organização e gestão estratégica, além de montar planos de negócios. Os alunos também têm uma discplina bastante inusitada, a de arqueologia, que envolve as questões da responsabilidade social e sócio-ambientais, uma das preocupações do novo executivo.


Serra da UBS revela que a faculdade pretende em breve lançar dois novos cursos, um de direito e outro de economia com foco em empresas. Nos planos também existem projetos de investimento em mercados vizinhos, como no Rio Grande do Sul. No entanto, ele afirma que por enquanto não especula atuar em cidades fora da região Sul. "Temos alunos vindos de Porto Alegre, Paraná e Mato Grosso. Queremos ser referência no ensino de negócios fora do eixo Rio-São Paulo", afirma. Também está sendo criado um laboratório que replica as operações do mercado de capitais, fruto de uma parceria com a corretora Fator. A idéia é levar para os alunos para o ambiente de uma corretora, fazendo com que cada um saiba montar sua própria carteira de investimentos.


Apesar da faculdade ainda não ter atingido o azul, por trás de suas operações há um conselho bastante estruturado, responsável por garantir a saúde financeira da instituição. Entre os nomes que integram o grupo, além do próprio Serra, estão Alfredo Pietrowski, da Alcoa; Cesar Olsen, da Olsen; Manoel Zaroni Torres, da Tractebel e Vicente Donini, da Marisol.

Um comentário:

B.L. disse...

gente só tem gatinhos... esse primeiro mesmo, é o Ó